Esses dias postei um texto de Fernando Pessoa, falando sobre amor, sobre amar... ele diz que nunca amamos ninguém, amamos apenas a projeção que fazemos desse alguém, uma idealização... rs... talvez seja por isso que nos decepcionamos tanto, não interessa a projeção que façamos... ninguém será como queremos... enfim... fiquei pensando como seria minha projeção... meu amor...
... seria amável, até certo ponto... decidida, critica (não tanto), seria inteligente, teria fé... em si, seria esforçada e lutaria por seus objetivos, sabendo classificar os objetivos a curto, médio e longo prazo. Essa pessoa me daria presentes, quando pudesse... lembrando que presentes não significam exatamente coisas compradas, gosto de surpresas. Essa pessoa assistiria filmes comigo, jogaria vídeo game comigo, passearia comigo pelo parque ou pela praia... e me convidaria pra andar por onde tem vontade também. Essa pessoa ouviria meus novos conhecimentos adquiridos e me contaria os seus... teria sonhos, teria realizações... teria vontade... essa pessoa gostaria de animais e natureza, gostaria de estudar. Claro, essa pessoa gostaria de sexo... hehehe, sabendo dominar e ser dominada. Gostaria de desenhos, de música, de cinema, de teatro, de artes... Essa pessoa me abraçaria por trás, quando possível, no momento em que eu estivesse cozinhando ou lavando louças. Beijaria-me o pescoço, passaria a mão na minha barriga e sorriria para mim. Essa pessoa me escreveria cartas e falaria de seus problemas, ouviria os meus e ambos resolveriamos ou simplesmente chorariamos juntos até que passasse... essa pessoa seria tudo isso e o que mais cada momento pedisse para que fosse... ou seja, essa pessoa seria perfeita... logo não seria ideal, visto que eu não sou perfeito... e ninguém é... o perfeito é chato... é igual sempre...
Concluo que se amamos nossa projeção, amamos o perfeito... se amamos o perfeito não amamos ninguém... e, no meu caso, nem quero... pois, como disse o perfeito é chato... as contradições e o encaixe diário é tão melhor, tão mais gostoso, embora trabalhoso.
Não quero amar minha projeção... quero amar o outro... assim como ele é... mas como fazer isso?
Para mim amar o outro é viver cada dia... encarando minhas mudanças e tentando me adaptar às mudanças do outro... pra que pensar tanto no amanhã? Em como estaremos no amanhã? Pensar no amanhã é previsão e bom... mas pensar só no amanhã é não viver o hoje... se tudo está bem hoje e estamos caminhando para o amanhã é o que importa... então borá lá amar hoje e amanhã... se possível...
Boa noite...
Bjoo
D.
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